"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





.

13 de nov de 2017

RUDY





RUDY

Sabia que quando você veio
Que eras Estrela
Cadente
De frente iluminando-me
Pra sempre. Sempre!
Agora de volta
Estrela do Céu
Não é a cruz que carrego
Mas sim Estrela Maior
a que faz Luz, a Grande Luz
aos meus caminhos
E na sombra, sei que
Estás em minhas costas
Dentro de mim
Em puro azul



Mamãe



JULHO 2009

14-11 1984 - 21-07-1999





Se aquela estrela
Velar por nós
Será que escuta
Minha voz
E me ajuda a atravessar
A noite escura
Que vai passar(Maria Bethania)



14-11 1984 - 21-07-1999
____________________________________



GESTAÇÃO (ATÉ ONDE)


ATÉ ONDE

Até Onde...
As minhas mãos possam tocar o mundo
Os meus braços possam enlaçar o céu,
Os meus olhos possam ofuscar as estrelas,
As minhas lágrimas possam transbordar os rios,
Os meus pensamentos possam flutuar no espaço,
O meu coração possa acalentar os sonhos,
O meu grito possa transpor paredes,
E na nódoa da noite,
Eu possa sentir a esperança,
E na alva manhã,
O abismo do ventre possa gemer,
Renascer... Rebrilhar

Para meu filho que virá este ano...

Cíntia Thomé
1984



ANJO DA NOITE


Levante-me com o teu sorriso
Toque a lira do amanhã...
Tua coroa de rosas,
No louro junquilho de teus cabelos
São sonhos acabados.
Veste-me de cambraia,
Borde meu único desejo da vida.
Beije-me como meu grande amor,
Dê-me teu peito para chorar.
Leve-me desse ardor em cal
Que me obriga a morrer.
Coloque tua mão em meu peito,
O coração geme, sinta.
Salve-me em teu colo
Para que eu adormeça
No eterno... em tuas asas.

Cíntia Thomé
2007

MÃOS

Mãos
Começo da vida
Mão estendida
Dedo selado ao meu
Compromisso de vida
Mãos dos carinhos
Percorrendo caminhos
Levantaste meus pés
Nas madrugadas
Mão aquecendo do frio da escuridão
Mão afagando até o sono
Alimentando a tua fome
Mão sobre a tua
Beijos em minha mão
Mão indicando sóis
Caminhadas pelas ruas
No desenhar dos traços
As letras dentro de um coração
Num cartão que jaz sobre a mesa
E a palavra Amor ainda existe
Mão no ombro anunciando as chuvas de verão
Mão com flores para outra mão
Mãos, fios elétricos
Mãos a brincar de sonhar
Distraídas em meus cabelos
Alvoroçando a ternura
Mãos trilhos da viagem ainda incerta
Futuro das minhas mãos envelhecidas
Das direções que eram precisas
Mão combalida, estremecida
Mão sem apoio e perdida
Sobre a mão tua já tão fria
Colocando uma ferida
Sobre esse coração
No que foi só alegria
Mãos em vida atrevida...
Mãos partidas... Mãos vazias
Haverão de se encontrar um dia...
Inteiras.

*Ao meu filho Rudy, meu carinho eterno e inteiro.
1984-1999

Cintia Thomé


NATAL - Lua Vermelha

Lua vermelha
Vejo escada transparente
Escalada ao céu negro
Lua vermelha,
Bola purpurina, tão menina...
Bola de fogo, chutada dos meus campos verdes...
Agora tão longe de mim...
Lua vermelha
Balão em labaredas, pipa vermelha;
Sem linha, cordão jaz imaginário...
Rezo rosários para ti
Venha até a mim...
Lua vermelha
Abra teus braços
Incendeia meus pecados
Queima meus atos insensatos
Ouço guizos longínquos
Diante do final juízo de mim
E Natal? É Natal?
Lua vermelha
Na árvore cortada natalina
Bola girando ao vento da morte e sorte
Quebrada em cacos cintilantes diante da vida
Viram estrelas no firmamento
Partículas no chão, erosões no peito...
Fios de dor sem a prata do amor
Revoltada carne vermelha sangrenta
Sou lunática alma diamante
Pedaço de mim
Lua vermelha
Estenda teu tapete carmim
Rosas rubras, brasas ondas...
Desejo pisar e arder eternamente
Ter a lua redonda branca
Deixar a terra em ira
Ir ao encontro onde tudo doura
Na manjedoura
Com ouro, incensos e mirra...
Lua vermelha
Flambe meu corpo
Empresta-me a luz do sol
Para que eu veja agora o menino
Ter a ressurreição da mãe senhora
Que só chora caída ao berço
E conta as contas do terço
Feridas em grãos...
Lua vermelha
Bronzeia a mãe, lâmpada apagada...
Quero o direito ao filho
Filho brilhante sem anel
Cadente aqui;
Estelar com suas asas
Para que eu sinta
Minha pele afagada
O nascer divino
E assim perto da luz, da paz e do tesouro...
Com ouro, incensos e mirra...
Lua vermelha
Ai de mim... Ai de mim...
Há de vir o menino
Há de vir o brilhante
Ai de mim... Ai de mim...
É Natal?
É Natal.

Cintia Thomé
(escrito em dez 99/2000)



DIA DO MEU FILHO(DIA DAS MÃES)

Aos seus pés
Curvarei meu útero vazio
Quente mão minha a sentir a saudade
Na transformação de meu corpo
A buscar o encanto
A arte sagrada
A mãe soberana
A escolha de ser criadora
Parir carne viva
Flor fulgurosa no canteiro
No lar, no café das manhãs
No agasalho das noites estreladas
Fome do carinho meu
Buscarei a palavra que já não pode dizer
Embrenhando-me na falta de sentido
Numa lágrima, a palavra Filho
Agarrar seus pés ausentes
Para plenitude, o resplandecer
De a palavra Mãe ouvir
Fome de carinho seu
Semente adormecida no canteiro
Minhas mãos aos seus pés
Pedra fria
Separa a Sombra e a Luz
Mãe
Filho
Um fogo ardente vivo
Eternidade

Cíntia Thomé

PASSAREANDO

Parada desfaço-me
Vou para o espaço
Onde as nuvens são brancas rosas
Plano no infinito, solto-me.
As possibilidades mil
O sopro do vento na face
E sentir que estas ali
Com tua mão carinhosa
Flutuando ao meu lado
Pra ser feliz
Pra ser feliz
Tão perto de mim
Passareando o canto
Das claras manhãs
Felicidade resgato
Dançamos em algodão
Em volta da fogueira Sol
Meu coração queimando
Anunciando nosso amor
Mas quando a tarde vem
Despede-se de mim
As brasas se recolhem
Atrás das montanhas
Luzes mergulham no Mar
Meu coração derrama-se
Deixam-me só
Aterrisso
Na escuridão azul
Sonhando que
Pra ser feliz
Pra ser feliz
Posso dizer
Durma bem
Ore
Até amanhã.

Cíntia Thomé
2002

QUINTAL


Meus caules, minhas árvores
Minha família, minha floresta verdejante
Corpos frondosos, fortalezas
Proteção, as certezas...
Éramos árvores tantas, tantas...
Primaveras iniciantes
Minhas amigas, meu Pai, meu Irmão.
Meu Filho, meu Amor.
Árvores que com os ventos,
Falavam em bocas dóceis
Conversas ao pé dos laranjais
Ternas lembranças de todo plantado amor.
Havia o calor, havia a sombra,
Abrigo das chuvas e do sol
Em todas as estações da minha vida.
Galhos em abraços. Verdes carícias...
Agora caminho e vejo outras...
Logo decepadas e vão ao chão.
Até quando eu resisto?
Guardo raízes fortes tão queridas
Ah! Quintal coração!
Leveza em minha alma,
Talos robustos que já não florescerão,
Nunca mais no meu quintal...
Perdida estou!
Ah! Minha floresta encantada!

Cíntia Thomé



2003

DEZEMBROS

Busco dezembros
Verões inexoráveis
Mares implacáveis
Sol a pino
Lençóis revoltos
Alfazema
Queima tardes
Frementes mãos
Nervosas, estendidas
Insondáveis mares
Tardes mornas
Busco dezembros
Obscuros mares
Clarões, insights
Busco...
Cheio de saudade
Adormecidas mãos
Cruzadas, aneladas
Tempo, incenso
Cheiro de saudade
Veranicos
Lisos lençóis
Dezembros
Em abajur
Escorrem as noites
De ninguém
Insight
Alfazema.

Cíntia Thomé
Na praia DEZ, 2007


VERDADE


Vontade.
Atravesso
A rua, a cidade...
O mundo.
Fecho a casa.
Encosto meu corpo
Á porta à parede
Vem à vontade...
No espelho:
A verdade.
Procuro a metade de mim...
A liberdade
Do ontem meu,
A fiel imagem
Do teu olhar
Na minha paisagem...
Do teu corpo
Junto ao meu.
A verdade.
No deserto, apenas miragem...
Miragem...
No retrato
Só estou eu.
Estou só
E eu.

Cíntia Thomé
2003

BENDITO FRUTO ( FILHO E MÃE )

Mãe
Filho
Um funil
Útero
Leite dos seios
Sagrada Mãe
Bendito fruto
Maçã
Filho
Copo da Vida
Festejo
Graça
Copo de Leite
Mãos doadas
Cordão
Filho e Mãe

Transborda sempre
Noite
e Dia
Copo
Leite
E Nescau


cintia thome



PÉROLA QUE HABITA O CÉU!



Responda-nos Rudy,
Onde quer que Esteja...
...................

Será que,
Se Te dissesse (antes da partida)
Que o barco era sem velas;
A noite era fria no vão das janelas irremovíveis,
O rio difuso,
A noite morta
E a porta sem uso;
Será que, assim mesmo, Rudy,
Pôr-te-ias a fugir apressado da aurora
Sem ouvir o lamento
Dos vindouros 70 anos de Ti?
...................

Responda-nos Rudy,
Onde quer que Esteja...
...................

Será que,
Se Te falasse (antes do arranque)
Que a estrada era sem sinais luminosos,
O ponto de partida era lotado;
O chão era de pétalas negrejadas,
A viagem confusa,
O entreolhar espantado
E a cerimônia restrita;
Será que, dessa forma, Rudy,
Pôr-te-ias a completar a órbita do nunca,
Sem olhar a espaçonave que Te guia
Desdizendo dos que (aqui, saudosos...)
Ainda Te têm?
..................

Responda-nos Rudy,
Onde quer que Esteja...;
Revela-nos o irrevelável!

Benny Franklin
Belém, Pará
09/2007


ROOTS




.
O dia está chegando... O mesmo que levou você... Mas esses dias, antes, eu preparo já a festa em meu coração. Revendo o melhor filme com pipocas, os balões das cores em brilho soltos pelo céu, o circo , a lona que te cobria de risos... Choravas em meu colo na avenida das ondas do Rio...me acompanhavas em seus olhares de expectativa tanta...
A bicicleta e em suas mãos girassóis Seu sono, seus sonhos... Suas pinturas, suas cartas ! Seu carro vermelho de bombeiro puxado por você Meu olhar assustado em seu primeiro beijo enamorado A felicidade de contar-me as descobertas Seu premio nas partidas de tênis,os gols do menino jogador... Seu ski nas águas do oceano, na praia que hoje falta a sua areia... A torcida só minha Suas danças e primeiro baile... Terno e gravata. Meu rapaz elegante... Lindo! A saudade que dói é essa... Saudade é quando se tem amor e não se reclama quando vem... Saudade tem fio ligado, lembrança bonita, um show... O filme parecia sem fim . É sem fim mesmo, pois preciso viver e cuidar de mim e dos nossos... Quando apagaram as luzes, as minhas e o personagem faltou e me vi aplaudindo solitária a estrela do céu brilhou pra mim... E graças a Deus eu fiz esse filme com você...
Desculpe filho essa mistura de tristeza e saudade, saudade... e se choro, mas ainda sorrio e muito, pois está tudo ligado...Mas ... é só pra dizer
Que te amo
Só isso


Família sempre - Roots


.

RUDY


10 ANOS...


RUDY

Sabia que quando você veio
Que eras Estrela
Cadente
De frente iluminando-me
Pra sempre. Sempre!
Agora de volta
Estrela do Céu
Não é a cruz que carrego
Mas sim Estrela Maior
a que faz Luz, a Grande Luz
aos meus caminhos
E na sombra, sei que
Estás em minhas costas
Dentro de mim
Em puro azul



Mamãe



JULHO 2009

14-11 1984 - 21-07-1999





Se aquela estrela
Velar por nós
Será que escuta
Minha voz
E me ajuda a atravessar
A noite escura
Que vai passar(Maria Bethania)



14-11 1984 - 21-07-1999
____________________________________



GESTAÇÃO (ATÉ ONDE)


ATÉ ONDE

Até Onde...
As minhas mãos possam tocar o mundo
Os meus braços possam enlaçar o céu,
Os meus olhos possam ofuscar as estrelas,
As minhas lágrimas possam transbordar os rios,
Os meus pensamentos possam flutuar no espaço,
O meu coração possa acalentar os sonhos,
O meu grito possa transpor paredes,
E na nódoa da noite,
Eu possa sentir a esperança,
E na alva manhã,
O abismo do ventre possa gemer,
Renascer... Rebrilhar

Para meu filho que virá este ano...

Cíntia Thomé
1984



ANJO DA NOITE


Levante-me com o teu sorriso
Toque a lira do amanhã...
Tua coroa de rosas,
No louro junquilho de teus cabelos
São sonhos acabados.
Veste-me de cambraia,
Borde meu único desejo da vida.
Beije-me como meu grande amor,
Dê-me teu peito para chorar.
Leve-me desse ardor em cal
Que me obriga a morrer.
Coloque tua mão em meu peito,
O coração geme, sinta.
Salve-me em teu colo
Para que eu adormeça
No eterno... em tuas asas.

Cíntia Thomé
2007

MÃOS

Mãos
Começo da vida
Mão estendida
Dedo selado ao meu
Compromisso de vida
Mãos dos carinhos
Percorrendo caminhos
Levantaste meus pés
Nas madrugadas
Mão aquecendo do frio da escuridão
Mão afagando até o sono
Alimentando a tua fome
Mão sobre a tua
Beijos em minha mão
Mão indicando sóis
Caminhadas pelas ruas
No desenhar dos traços
As letras dentro de um coração
Num cartão que jaz sobre a mesa
E a palavra Amor ainda existe
Mão no ombro anunciando as chuvas de verão
Mão com flores para outra mão
Mãos, fios elétricos
Mãos a brincar de sonhar
Distraídas em meus cabelos
Alvoroçando a ternura
Mãos trilhos da viagem ainda incerta
Futuro das minhas mãos envelhecidas
Das direções que eram precisas
Mão combalida, estremecida
Mão sem apoio e perdida
Sobre a mão tua já tão fria
Colocando uma ferida
Sobre esse coração
No que foi só alegria
Mãos em vida atrevida...
Mãos partidas... Mãos vazias
Haverão de se encontrar um dia...
Inteiras.

*Ao meu filho Rudy, meu carinho eterno e inteiro.
1984-1999

Cintia Thomé


NATAL - Lua Vermelha

Lua vermelha
Vejo escada transparente
Escalada ao céu negro
Lua vermelha,
Bola purpurina, tão menina...
Bola de fogo, chutada dos meus campos verdes...
Agora tão longe de mim...
Lua vermelha
Balão em labaredas, pipa vermelha;
Sem linha, cordão jaz imaginário...
Rezo rosários para ti
Venha até a mim...
Lua vermelha
Abra teus braços
Incendeia meus pecados
Queima meus atos insensatos
Ouço guizos longínquos
Diante do final juízo de mim
E Natal? É Natal?
Lua vermelha
Na árvore cortada natalina
Bola girando ao vento da morte e sorte
Quebrada em cacos cintilantes diante da vida
Viram estrelas no firmamento
Partículas no chão, erosões no peito...
Fios de dor sem a prata do amor
Revoltada carne vermelha sangrenta
Sou lunática alma diamante
Pedaço de mim
Lua vermelha
Estenda teu tapete carmim
Rosas rubras, brasas ondas...
Desejo pisar e arder eternamente
Ter a lua redonda branca
Deixar a terra em ira
Ir ao encontro onde tudo doura
Na manjedoura
Com ouro, incensos e mirra...
Lua vermelha
Flambe meu corpo
Empresta-me a luz do sol
Para que eu veja agora o menino
Ter a ressurreição da mãe senhora
Que só chora caída ao berço
E conta as contas do terço
Feridas em grãos...
Lua vermelha
Bronzeia a mãe, lâmpada apagada...
Quero o direito ao filho
Filho brilhante sem anel
Cadente aqui;
Estelar com suas asas
Para que eu sinta
Minha pele afagada
O nascer divino
E assim perto da luz, da paz e do tesouro...
Com ouro, incensos e mirra...
Lua vermelha
Ai de mim... Ai de mim...
Há de vir o menino
Há de vir o brilhante
Ai de mim... Ai de mim...
É Natal?
É Natal.

Cintia Thomé
(escrito em dez 99/2000)



DIA DO MEU FILHO(DIA DAS MÃES)

Aos seus pés
Curvarei meu útero vazio
Quente mão minha a sentir a saudade
Na transformação de meu corpo
A buscar o encanto
A arte sagrada
A mãe soberana
A escolha de ser criadora
Parir carne viva
Flor fulgurosa no canteiro
No lar, no café das manhãs
No agasalho das noites estreladas
Fome do carinho meu
Buscarei a palavra que já não pode dizer
Embrenhando-me na falta de sentido
Numa lágrima, a palavra Filho
Agarrar seus pés ausentes
Para plenitude, o resplandecer
De a palavra Mãe ouvir
Fome de carinho seu
Semente adormecida no canteiro
Minhas mãos aos seus pés
Pedra fria
Separa a Sombra e a Luz
Mãe
Filho
Um fogo ardente vivo
Eternidade

Cíntia Thomé


MINHA ARTE, MINHA PINTURA

Minha arte, minha pintura
Minha prima obra
Cores da vida
Tela viva
Travessura e ternura
Pinceladas frescas às mãos
Vermelho rosto rubro
Vermelho corado coração
Boca serena
Sorriso alvo,
Tela viva
Olhar maroto para mim
Minha arte, minha pintura
A cada dia uma cor para mim
Infinitos matizes
Tela viva
Criei o Amor escarlate
Água forte
Traços meus em marfim
Pássaro alado
Vestes em fios azul-prata
A criação no azul dos céus
Beijei-te
Amei-te tanto, tanto
Em azul noite
Adormeceste...
Sem olhar para mim
Em verdes campos
Águas celestes passadas
Linha perdida minha
Traçado destino
Borrado grito meu
Minha arte, minha pintura
Em sépias tristes
Olhos fechados
Pássaro ferido
Em infinito branco
Minha arte, minha pintura
Alada obra inacabada
Minha...

Cíntia Thomé


PASSAREANDO

Parada desfaço-me
Vou para o espaço
Onde as nuvens são brancas rosas
Plano no infinito, solto-me.
As possibilidades mil
O sopro do vento na face
E sentir que estas ali
Com tua mão carinhosa
Flutuando ao meu lado
Pra ser feliz
Pra ser feliz
Tão perto de mim
Passareando o canto
Das claras manhãs
Felicidade resgato
Dançamos em algodão
Em volta da fogueira Sol
Meu coração queimando
Anunciando nosso amor
Mas quando a tarde vem
Despede-se de mim
As brasas se recolhem
Atrás das montanhas
Luzes mergulham no Mar
Meu coração derrama-se
Deixam-me só
Aterrisso
Na escuridão azul
Sonhando que
Pra ser feliz
Pra ser feliz
Posso dizer
Durma bem
Ore
Até amanhã.

Cíntia Thomé
2002

QUINTAL


Meus caules, minhas árvores
Minha família, minha floresta verdejante
Corpos frondosos, fortalezas
Proteção, as certezas...
Éramos árvores tantas, tantas...
Primaveras iniciantes
Minhas amigas, meu Pai, meu Irmão.
Meu Filho, meu Amor.
Árvores que com os ventos,
Falavam em bocas dóceis
Conversas ao pé dos laranjais
Ternas lembranças de todo plantado amor.
Havia o calor, havia a sombra,
Abrigo das chuvas e do sol
Em todas as estações da minha vida.
Galhos em abraços. Verdes carícias...
Agora caminho e vejo outras...
Logo decepadas e vão ao chão.
Até quando eu resisto?
Guardo raízes fortes tão queridas
Ah! Quintal coração!
Leveza em minha alma,
Talos robustos que já não florescerão,
Nunca mais no meu quintal...
Perdida estou!
Ah! Minha floresta encantada!

Cíntia Thomé



2003

DEZEMBROS

Busco dezembros
Verões inexoráveis
Mares implacáveis
Sol a pino
Lençóis revoltos
Alfazema
Queima tardes
Frementes mãos
Nervosas, estendidas
Insondáveis mares
Tardes mornas
Busco dezembros
Obscuros mares
Clarões, insights
Busco...
Cheio de saudade
Adormecidas mãos
Cruzadas, aneladas
Tempo, incenso
Cheiro de saudade
Veranicos
Lisos lençóis
Dezembros
Em abajur
Escorrem as noites
De ninguém
Insight
Alfazema.

Cíntia Thomé
Na praia DEZ, 2007


VERDADE


Vontade.
Atravesso
A rua, a cidade...
O mundo.
Fecho a casa.
Encosto meu corpo
Á porta à parede
Vem à vontade...
No espelho:
A verdade.
Procuro a metade de mim...
A liberdade
Do ontem meu,
A fiel imagem
Do teu olhar
Na minha paisagem...
Do teu corpo
Junto ao meu.
A verdade.
No deserto, apenas miragem...
Miragem...
No retrato
Só estou eu.
Estou só
E eu.

Cíntia Thomé
2003

BENDITO FRUTO ( FILHO E MÃE )

Mãe
Filho
Um funil
Útero
Leite dos seios
Sagrada Mãe
Bendito fruto
Maçã
Filho
Copo da Vida
Festejo
Graça
Copo de Leite
Mãos doadas
Cordão
Filho e Mãe

Transborda sempre
Noite
e Dia
Copo
Leite
E Nescau


cintia thome



PÉROLA QUE HABITA O CÉU!



Responda-nos Rudy,
Onde quer que Esteja...
...................

Será que,
Se Te dissesse (antes da partida)
Que o barco era sem velas;
A noite era fria no vão das janelas irremovíveis,
O rio difuso,
A noite morta
E a porta sem uso;
Será que, assim mesmo, Rudy,
Pôr-te-ias a fugir apressado da aurora
Sem ouvir o lamento
Dos vindouros 70 anos de Ti?
...................

Responda-nos Rudy,
Onde quer que Esteja...
...................

Será que,
Se Te falasse (antes do arranque)
Que a estrada era sem sinais luminosos,
O ponto de partida era lotado;
O chão era de pétalas negrejadas,
A viagem confusa,
O entreolhar espantado
E a cerimônia restrita;
Será que, dessa forma, Rudy,
Pôr-te-ias a completar a órbita do nunca,
Sem olhar a espaçonave que Te guia
Desdizendo dos que (aqui, saudosos...)
Ainda Te têm?
..................

Responda-nos Rudy,
Onde quer que Esteja...;
Revela-nos o irrevelável!

Benny Franklin
Belém, Pará
09/2007


ROOTS




.
O dia está chegando... O mesmo que levou você... Mas esses dias, antes, eu preparo já a festa em meu coração. Revendo o melhor filme com pipocas, os balões das cores em brilho soltos pelo céu, o circo , a lona que te cobria de risos... Choravas em meu colo na avenida das ondas do Rio...me acompanhavas em seus olhares de expectativa tanta...
A bicicleta e em suas mãos girassóis Seu sono, seus sonhos... Suas pinturas, suas cartas ! Seu carro vermelho de bombeiro puxado por você Meu olhar assustado em seu primeiro beijo enamorado A felicidade de contar-me as descobertas Seu premio nas partidas de tênis,os gols do menino jogador... Seu ski nas águas do oceano, na praia que hoje falta a sua areia... A torcida só minha Suas danças e primeiro baile... Terno e gravata. Meu rapaz elegante... Lindo! A saudade que dói é essa... Saudade é quando se tem amor e não se reclama quando vem... Saudade tem fio ligado, lembrança bonita, um show... O filme parecia sem fim . É sem fim mesmo, pois preciso viver e cuidar de mim e dos nossos... Quando apagaram as luzes, as minhas e o personagem faltou e me vi aplaudindo solitária a estrela do céu brilhou pra mim... E graças a Deus eu fiz esse filme com você...
Desculpe filho essa mistura de tristeza e saudade, saudade... e se choro, mas ainda sorrio e muito, pois está tudo ligado...Mas ... é só pra dizer
Que te amo
Só isso


Família sempre - Roots


.

21 de out de 2017




NA JANELA
Uma saudade nao se escolhe.
Não há saudades iguais .
Elas se jogam em vidas sem o menor pudor
Rasga anos, rasga luzes horizontais
Derrama líquidos todas as letras das escrituras
de todas as heranças invisíveis e sôfregas
Montanhas, planícies frias
Uivos ao luar, na janela que abre como fissura
que goteja ruídos das dores vindas e por vir...ai dor!
como um coração que nao suporta ver o ''jamais!'
Cintia Thome
2018

14 de abr de 2017

Pontas sombras

a ponta da faca
a ponta do lápis
a ponta do fio
a aresta da casa
as ondas das sombras
a cesta
e suas cascas
a tarde
sombreada.


Cintia Thome